O Inventário do Vazio
- Amanda Wamy

- 3 de mar.
- 1 min de leitura
Às vezes, a insônia traz consigo uma inspiração que a luz do dia desconhece. Este poema surgiu numa dessas noites silenciosas, em que a falta de sono era minha única companhia e a caneta, minha única aliada. "O Inventário do Vazio" nasceu de um desses encontros inesperados entre a insônia e a inspiração, onde o tudo e o nada resolveram conversar. Então escrevi, mesmo sem saber se algum dia alguém leria.

Ele tinha tudo: uma casa grande e espaçosa, jardim e pomar — mas não tinha nada.
Ele tinha tudo: uma TV de 70 polegadas, um celular de última geração, um carro impecável — mas não tinha nada.
Ele tinha tudo: dinheiro, fama, as mulheres mais bonitas — mas não tinha nada.
Ele tinha tudo, e ainda assim o vazio ocupava cada cômodo; o eco atravessava paredes, morava na mente, respirava na alma.
Ele tinha tudo — mas não tinha nada.
Ele tinha tudo, mas se obrigava a sorrir para o que lhe causava ansiedade; ria quando queria chorar, saía quando desejava desaparecer.
Ele tinha um barco de velas de linho — mas não tinha âncora, nem porto. Não tinha nada.
Ele tinha tudo — mas não tinha nada.
Ele tinha tudo: uma cozinha que acolheria seis, uma mesa posta para doze — mas a cabeceira era o único lugar ocupado.
Ele tinha conquistas e projetos — mas o lado da cama permanecia intacto.
Ele tinha tudo. Mas não tinha nada.




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